sexta-feira, janeiro 20, 2017

Desafio - para Dinaldo Lessa



Inapagável,
o passado
está lá.

Ele me governa,
apesar de não
falar.

Rio em mim,
desses que
fundam
em silêncio
e devagar...

Impossível
precisar
a nascente
nem a foz
dessa água
que trafega
sem cansar...

Tudo que sou
depende dessa linfa
(impossível tatuagem
semovente)
onde moram peixes –
facas brilhantes
e mortais –
que me fazem exclusiva
e ligada
a abismos,
jazidas de energia
e desespero.

O desafio
é conspirar
a exata medida
do indulto
desse rio...

E jamais
deixá-lo
impedir
as chuvas
que limpam seu curso
indispensável.

3 Comments:

At 2:29 PM, Anonymous Anônimo said...

Parabéns, minha amiga Flávia, muito bonito. Débora, muito obrigado pela maravilhosa leitura.
Atenciosamente,
Rogério Porto.

 
At 2:31 PM, Anonymous Anônimo said...

Que lindo, Flávia! Um lindo presente, estou emocionado.A fala mais verdadeira e sincera dos poetas. Muito agradecido pela escuta e pelo belo presente. Dinaldo.

 
At 11:06 AM, Anonymous Anônimo said...

Boa tarde, professora.

Estava assistindo sua aula de redação pela internet porque não pude, infelizmente, estar presente na aula.

Na aula, a senhora comentou de um poema que escrevera para um amigo. Procurei no seu blog (dou uma olhada lá sempre que posso) e o li com bastante atenção.
Professora, excetuando a gratidão, não costumo externar meus sentimentos, mas devo admitir que me identifiquei com o texto, uma vez que a história da minha vida é este rio, esta linfa repleta de peixes - facas brilhantes e mortais.
Parabéns, professora. Minhas sinceras felicitações. Sinto orgulho em ter uma professora tão apaixonada pelo que faz, que executa com maestria o que ama, e que cativa tão profundamente quem admira a arte da boa leitura. Havia pensado em lhe externar meus agradecimentos outras vezes, mas nunca julgava tão necessário assim. Mas com esse poema a coisa é diferente.
Parabéns também por nomear uma das salas do curso. Homenagem merecida.

E obrigado mais uma vez pela lista de livros. Já os tenho todos baixados aqui. Eu já gostava muito de ler, mas a coisa ganhou força depois que vi sua paixão pela leitura. Acredita que, até nos meus sonhos, os personagens travam entre si conversas em português arcaico? (risos). Imagine que eu pedi algo a alguém (não lembro bem) dizendo "por obséquio, vossa mercê poder-me-ia..." Dómine! (mais risos).

Grande abraço, professora!

Raphael Cavalcanti.

 

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