terça-feira, junho 30, 2009

Outra palavra no mar

Inescrita na água,
esta palavra

nos salvará!

Flutua,
maravilhosa...
Consolaria náufragos
e suicidas...

De ouvir dizer,
adivinhava:
uma pele diáfana
e uma renda de seda
guardam sua absurda beleza!

Mas não consigo pegá-la:
o mar e seus ardis
a distanciam...

Vento contínuo
corrente invisível
onda teimosa...
tudo carrega
a linda bolha
da minha mão.

A minha vida,
raiz prendida,
a esse soluço
dentro do mar...

Busquei sombrinhas,
depois um sino,
saia de tule,
boias de vidro...

Além de tudo
sereias cantam
confundem a busca
já tão difícil...

Esta palavra
tudo resume!
Queria tanto
saber dizê-la...
Se eu pudesse...
nos salvaria...

Este poema
sobre medusas
sou eu tentando,
desesperada...

O mar me ensina
a não desistir.
E, enquanto tento,
queria, ao menos,
ficar melhor!

12 Comments:

At 4:26 PM, Anonymous Anônimo said...

e, quando tento, queria,
ao menos, ficar melhor!

você é de uma sensibilidade desconcertante e rara..
dá pra ver de longe :)


erika.

 
At 1:07 AM, Anonymous Anônimo said...

buscar é também ventura. e nem me venha dizer que ignorância é bênção.

 
At 12:12 PM, Blogger gerhilde said...

Cara Flávia
Em meio as tarefas domésticas,neste mês de recesso escolar e férias, sou surpreendida pelo meu filho para escutar um texto que carrega nas mãos.Respondo para ele que enquanto arrumo a casa ficarei ao mesmo tempo atenta a sua voz.
Confesso minha resistência logo no começo por se tratar de algo a ver com Iracema de José de Alencar.
Aos poucos vou sendo seduzida pelas palavras claras e geniais da "Tarefa de casa".Tentei advinhar o autor de texto tão rico, que foi me tirando aos poucos dos afazeres; que me fez soltar vagarosamente a colcha que tentava forrar na minha cama.Imaginei vários escritores que já li, mas nenhum, uma mulher.Por enquanto, de mulher, só eu e a Iracema.Aos poucos fui me emocionando e pedi ao meu filho com gestos para sentir minha pele reagindo às minhas emoções pelo prazer de ouvir tão perfeita contextualização entre os cem anos da imaginação de Alencar e a nossa situação real de agora.
Pois bem Flávia, escrever é renunciar, o que vc pode provar com seu texto.E bem mais, agora lerei de novo Iracema com outros olhos.Depois que agarrei a folha de papel do meu filho e li em voz alta e entrecostada seu grito de alerta.
Parabens
Gerhilde

 
At 5:35 PM, Anonymous Anônimo said...

não é de se esperar pouco de uma pessoa que saiba coexistir inteligência e coerência, e ainda saber expressá-las em textos fantásticos como "A agulha e seu limbo".

tive a ousadia de escrever um texto em um momento inédito, como é cada momento de quem passa,de verdade, por um ano de estudos para o vestibular.Não é nada demais, mas da uma sacada e depois diz o que achas.

Aceite o bem

Aceitar o bem, como pensam muitos, não se trata de seguir dogmas de um certa religião ou de dar moedas a um mendigo.Vai além,está relacionado a mudar seus costumes, tentando visar, também, o bem do próximo.No país com maior número de adeptos ao catolicismos do mundo é ,visivelmente, percibida a influência da igreja no cotidiando das pessoas ; dos seus mandamentos -que não passam de uma mera adaptação do código de Hamburabi que passaram a ser chamados de "os 10 mandamentos" apenas para atender aos pré-requisitos do setor de marketing dos sistemas de produção - na minha opinião o mais importante é "Amar os outros como a si mesmo". Porém este, não é se quer visto nas próprias igrejas,local tido como sagrado.Ao mesmo tempo em que uma missa está sendo celebrada, existem pessoas guardando carros, outras pedindo esmola e ,talvez ,na esquina, alguns jovens fazendo uso de drogas antes de sair para assaltar; mas quando uma coisa que é vista todo dia se torna ,quem sabe, invisível para nós, passando dispercebida pelos "fiéis".
Antes de pensarem que sou comunista ou quem sabe até alguém querendo chamá-lo para participar de uma religião -como é costume dos seres humanos,direcionar os defeitos e fazer críticas não construtivas ao próximo - reflita um pouco sobre seus hábitos e hobbies e tentem encontrar nesses um momento em que você pensou em que está lhe ajudando , quem está trabalhando naquela bilheteria do cinema, quem está na bilheteria do circo de soleil,quem foi aquela garota que você azarou no baile e ela não te quis,será que elas está passando por dificuldades financeiras? quem é o cambista que você comprou o seu ingresso para o são joão da capitá, será que ele ainda está vivo? será que você se quer perguntou se ele estava bem?
Não sou nenhum anjo até porque como dizia um filosofo "o homem é um anjo em cima de um porco" não deixe esse porco mostrar sua face em detrimento do anjo adormecido , faça o Δ das suas atitudes (boas atitudes - más atitudes) ser positivo .No mundo em que vivemos, no qual a violência é uma chaga em meio à sociedade, devemos ajudar uns aos outros, e não antes de qualquer atitude feita em prol do próximo pensar no que ganheremos em troca.Não se deixe enganar pelas aparências e nem pelo status social. A sensibilidade humana ,para perceber a áurea do outrem, deve ir além do físico, e o prazer de ajudar o outro, ou pelo menos ao fazê-lo uma simples pergunta rotineira (que é uma ajuda,talvez a com maior efeito sobre o aceptor) "tudo bem amigo,como vai hoje?" ou um simples "bom dia!" para você pode não fazer nenhuma diferença(e faz) , mas, para "ele" que pode estar passando por diversas dificuldades,com certeza, fará!



"Fale no bem, faça o bem, acredite no amor"


um grande beijo de quem muito te admira!

Bruno Abreu.

 
At 2:36 AM, Blogger Marina said...

Temperamentais, essas águas do mar. Não decidem se trazem ou levam; levam e trazem. Suas ondas, às vezes calmas e claras, também podem ser tempestade.

Sinto uma afinidade imensa com essa instabilidade.

Lindas palavras, Flávia.
Abraço!

 
At 12:16 PM, Anonymous Anônimo said...

E cada vez que venho aqui, sinto uma enorme vontade de colocar o coração no papel assim como você perfeitamente faz.

 
At 4:03 PM, Blogger Leite said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 4:10 PM, Blogger largata said...

flavinha olha.. eu li recentemente um livro de Mario Vargas Llosa.. "tia julia o escrivanhador".. ai eu adorei o livro e o modo dele de escrever e to querendo comprar algum outro. Será que tu num pode me recomendar algum?

 
At 5:40 PM, Blogger Luíza C. said...

se as águas dos mar soubessem falar,acho que seriam falantes inconstantes. Diriam que sim, mas também diriam que não, assim como suas ondas vão e vêm, nós teríamos de saber se quando elas estariam dizendo a palavra que buscamos é a que queremos ou talvez fosse apenas uma ilusão.

 
At 1:42 AM, Blogger Daniela Falcone said...

Encantador.

 
At 3:10 PM, Anonymous Mell said...

Ah, o mar... misteriosamete finito/infinito... tão perto e tão longe... o mar somos nós.
mais um liindo texto.

 
At 2:48 PM, Anonymous Anônimo said...

Flávia, mergulhar no seu blog é alimento para minha alma....
segue email do restaurante KOVACIC (experiência gastronômica) que Izabella (Literato) anunciou. Vale a pena conferir....
restaurantekovacic@gmail.com
www.kovacic.aartedecozinhar@institutosois.org
abraços,
Alessandra Araújo

 

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