domingo, abril 06, 2008

Chá de rolha - 9

O jardineiro fiel
Há um mês, aproximadamente, eu, duas irmãs e meu cunhado fomos caminhar na praça de Casa Forte.
Essa tarefa se deve a um esforço que temos feito para a minha pressão não subir, nem o peso geral.
Andamos e falamos tanto que ficamos esbaforidas... Mas, ao que parece, o remédio funciona, ainda que parte do sucesso advenha do prazer que tiramos da companhia e da análise da “psicologia dos fatos”, pela qual se pagam fortunas, e nós, peripateticamente, efetivamos sós.
Pois bem, nesse dia, em especial, dobramos o lucro. Quando ainda estávamos chegando à praça, nosso cunhado foi abordado por um jardineiro. Ele vinha vendendo (mas, na verdade, ele mais conversava do que propriamente vendia) umas plantinhas que carregava num carro de mão.
Ele era desses filósofos populares que de vez em quando aparecem e fazia elucubrações sobre a natureza dos bairros do Recife:
– Casa Forte é especial, eu moro num bairro de minoria...
Ainda que atrapalhasse os conceitos, entendi perfeitamente o que ele quis dizer e, andando todos, acompanhamos suas análises e suas considerações.
Aí ele soltou uma exclamação:
– E aí, doutor, que sorte a sua, hein?, ser capitão desses navios vistosos aí!...
Meu cunhado ficou todo cheio de dedos e disse que só era capitão de um “navio” e que eu e Debe éramos suas cunhadas... Mas o jardineiro insistia:
– Que sorte! Navios bonitos você tem... assim... ter a sorte de sair nessa companhia... bonitas...
É claro que já eram 17 horas e o lusco-fusco atrapalhava a visibilidade total, mas não levamos isso em consideração. E rimos a valer, até porque não havia vingança mais doce contra a idade, o desmoronamento geral e mesmo contra uma brincadeira que meu cunhado faz, chamando-nos de araras, porque falamos muito, alto e ao mesmo tempo. Além disso, ele faz o maior sucesso sempre que diz: "Quando Deus não dá irmã, o diabo dá cunhada..."!
Ao “desembarcar” na praça, estávamos radiantes, ríamos a valer e, de agora em diante, temos um trunfo: navios podem ser grandes, desengonçados e podem até estar quebrados, mas, a las cinco de la tarde, acontecem milagres...

1 Comments:

At 8:13 AM, Anonymous Adriana Magalhães said...

Araras?!?! kkkkkkkkkkkkkkk...

Quem disse que foi pq era 5 horas? A senhora é linda sim, oww!

E que estória é essa de caminhar conversando?? Pode nããão!! rsrs.

Mas foi ótimo isso, hein...

 

Postar um comentário

<< Home