sábado, maio 03, 2008

A torre e o espelho

Uma guerra findou.
Mas outras nascerão
de nossos defeitos.

Serão mais brutais:
ceifarão crianças
ferirão os bons
pouparão os maus...

O medo
varrerá as cidades
interromperá os campos...
Mesmo os mares
carregarão
submarinos
perigosos como vulcões.

Dentro de nós
muita coisa morrerá,
principalmente
quando tudo
rebrotar
cheio de pânico
e desamor...

Olharemos o relógio,
esperaremos,
feridos,
um tempo
sem salmoura.

O que nos vem
são pessoas
de mãos trêmulas,
as roupas molhadas
de lágrimas
e sangue.
Porque faltam explicações.

Alguns de nós
serão felizes;
inventarão
máquinas de matar;
esvaziarão
tudo de sentido:
os vagalumes virarão
relâmpagos mortais;
as lagartas serão
interrompidas...

Alguns de nós
ficarão loucos
e fugirão
do mundo
sem de todo partir.

Alguns de nós
falarão
pelos que
ficaram mudos...
sua voz
sairá dos túmulos:
recontaremos os mortos
reergueremos os prédios
reapontaremos as auroras
recomeçaremos as crianças...

Uma delas
achará
o espelho
enterrado.

E outra
guerra absurda
nascerá na sua mão.

13 Comments:

At 7:33 PM, Anonymous Anônimo said...

Tia, que poema tristinho. Oxe, gostei não....
É muito bonito, mas.... geralmente o escritor ele põe pra fora os sentimentos do momento. E eu detesto saber ou simplesmente sonhar que você tá pra baixo...
Gostei não!!!!
Faça um alegre!!
Te amo...
Com amor, Ju

 
At 7:57 PM, Anonymous Anônimo said...

Qual seria a solução: destruir o espelho, ou lançar sobre ele um outro olhar?

 
At 8:02 PM, Blogger Luciana Clarissa said...

belo ímpeto!
que saudade de você da vida que pulsa em cada gesto e palavra tua.

 
At 10:01 PM, Blogger Clarissa às claras said...

Professora, muitas saudades da senhora e das tuas aulas impagáveis e maravilhosas.
Poema triste, mas profundo. Para refletir.
Queria poder voltar ao cursinho.
Beijos enormes, Clarissa (prima de Sama).

 
At 12:32 AM, Anonymous Kríssia Rafael said...

Professora, nunca esqueça de uma coisa: Vc é ROCHEDA!!! Rs...
E, como se não bastasse, a pessoa mais cativante do mundo! Amo..

Bjos... KR

 
At 10:36 AM, Anonymous Dimas Lins said...

Belo poema. De uma tristeza necessária, porque tristes são as guerras.

Estou sempre por aqui, espiando a tua criação.

Dimas Lins

 
At 5:05 PM, Anonymous Anônimo said...

Flávia...
Que poema lindo!!
Triste,mas lindo!!
Me lembrou muito de um
filme que assisti recentemente...
O Despertar de uma paixão,quefoi uma adaptação de um ótimo livro!!
Um bejão e saudades das suas aulas

 
At 11:27 PM, Anonymous Anônimo said...

Flavinha
falei com você e soube da perda de seu pai. Pais são sempre referências ... origem, raízes ... e ele deve ter sido muito importante, pois gerar pessoas como você e Debie, não é para qualquer um !
quero registrar minha solidariedade neste momento. Contem comigo.
Abraço muito carinhoso
Rosário

 
At 7:50 PM, Anonymous Renato said...

torres caindo e tudo em nossas mãos

 
At 7:11 PM, Blogger Marina Moura said...

Fantástico!

É a isso que estamos fadados.
Construção e desmoronamento.

 
At 10:57 AM, Anonymous mai said...

fazia um certo tempo que um poema não me tocava tanto.
sem mais.

 
At 4:49 PM, Blogger lagarta said...

um belo poema e uma triste realidade.
um ótimo trabalho, e uma pessoa melhor ainda. parabéns. :D

 
At 5:36 PM, Blogger josephine said...

"ferirão os bons
pouparão os maus"

A perda de um pai como o meu, e como parece, como o seu, não tem muito o que comentar.

Beijos,
Cátia.

 

Postar um comentário

<< Home